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sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Cara, cadê meu carro? [parte 3]

Estou fazendo a continuação do conto que venho lhes escrevendo - Cara, cadê meu carro? - e esta é a terceira parte. Vocês podem encontrar as outras nos links a seguir:
Parte 1 e Parte 2.

Atravessamos a passos acelerados, já temendo o pior, mesmo assim, não pareceu que estávamos rápidos o suficiente. Foram apenas cinco segundos:

Cinco...
- Hey, você! - gritou minha mãe, levantando a mão.

Quatro...
- Heeey, espera! - berrou ela, avançando a minha frente.

Três...
- ESPERA!

Dois...
- Não, não!
- HEY - me juntei a ela, também fazendo movimentos histéricos.

Um.

Ainda não tínhamos chegado. Estávamos a quase cinco metros quando escutamos os cracks. Paramos, estagnados. O barulho de metal contra metal era cada vez mais audível. Minha mãe pôs a mão na boca e eu, na cabeça. Vimos a porta querer cair para o lado, tentando salvar-se em vão, pois a máquina logo a puxou para cima, caindo sobre o capô e esmagando-se.

- Puta merda! - exclamei alto, já percebendo que os soluços presos de minha mãe iriam se tornar lágrimas. Fiz um movimento lento para pegá-la e levá-la para longe dali, mas ela se desvencilhou de minhas mãos e continuou o percurso, decidida a mandar quem visse a frente para a cadeia. - Mãe? - chamei-a, mas ela fez um movimento com a mão e seguiu adiante.

- Quem foi o escroto que mandou compactar o meu carro? - exigiu ela, com a mão na cintura de modo que só a vi fazer uma vez, e desde esse dia o meu pai não retornou para casa e ainda a processou na vara da família.

- Seu carro, senhora? - questionou o homem junto à compactadora, levantando a sobrancelha.

- Esse monte de metal quadrado que você está operando era meu carro. Quem ordenou que fizesse isso com ele?

- Seu carro, senhora? Não, não. Esse carro era uma lata-velha que tínhamos a meses. Veio de uma batida lá do centro. O dono nunca veio buscar.

- Não me faça rir - exasperou minha mãe, identificando um pedaço de metal que tinha sido violado antes da compactação.

Levou mais tempo do que deveria pra que eu conseguisse distingui-lo entre a sujeira e descobrisse o que era. Quando minha mãe a pegou, ela ficou imóvel alguns instantes. Estranhei imediatamente o ato. Aproximei-me devagar e espiei por cima de seu ombro.

Aquela não era a placa do nosso (continue lendo dela) carro.

- Senhora, me escute - disse uma voz atrás de nós, era o vendedor da concessionária. - Já dissemos que não sabemos nada do seu celta. A senhora deveria voltar para casa.

Dessa vez, não deixei minha mãe escapar e a puxei de volta. Tirei o pedaço de metal de sua mão e a conduzi à rua. Antes, puxei o celular e comecei a discar o número de um tio, que é taxista e geralmente fica pela Ponta Negra. Pelo horário, ele deveria estar livre agora. Porém, antes de terminar de discar o número, algo me ocorreu:

- Nós não falamos que era um celta.

Virei ligeiro para o lado, fitando a situação. Minha mãe, que escutou meu sussurro, puxou meu celular e começou a ligar para a polícia. Observei com o máximo de atenção que pude. O vendedor da concessionária estava falando baixinho com o operador da máquina de compactar. Escutei minha mãe dizer "deixa pra lá" na linha e voltei minha atenção para ela, a qual estava a beira da rua fazendo sinal para uma viatura da Rocam. Ela explicou tudo a plenos pulmões e ouvi passadas agitadas as minhas costas. Eram o vendedor e o operador, acelerados e sem saber aonde enfiar a cara.

- Hey, você? - chamou o policial com pinta de durão, um armário negro que não me dava vontade de me aproximar, pois sua aura de autoridade fala mais alto do que a voz grossa.

- Sim, seu guarda - disse o vendedor, aproximando-se acanhado.

- Você está ciente da queixa que essa senhora está me fazendo?

- Sim, seu guarda. Ela veio com uma história aqui, dizendo-

- Não perguntei qual era a queixa, perguntei se você está ciente.

- Sim, desculpa seu guarda. Eu estou ciente, sim!

- Cadê o carro?

- Eu não sei de nenhum carro, seu guarda.

- Não sabe? - questionou o policial, estufando o peito.

- Como eu tinha dito a ela, não temos qualquer celta vermelho na nossa concessionária.

- Posso dar uma olhada, então? - indagou o negão, campeando ligeiro o que podia ver.

Apertei forte o punho. Não tínhamos dito qual era a marca do carro, muito menos a cor. Eu sabia, apesar de tudo, que ele poderia ter deduzido-a por termos saído correndo atrás de um carro vermelho sendo compactado no ferro-velho, mas a certeza que ele dava ao saber que carro era me irritava.

Minha mãe sustentou minha teoria para o outro policial que nos acompanhava enquanto o negão adentrava o ferro-velho junto ao operador da compactadora. Não demorou muito e o policial saiu, começando a revista na concessionária. Quando escutei um pedido de desculpas do fardado, não aguentei.

Nunca na minha vida eu tinha sido tão rápido. Enfiei a mão no cinto do policial que nos acompanhava e saquei sua arma. Quando percebi, já estava com a arma na cabeça do vendedor e já o rodeava de modo a não ficar na mira do negão.

- Ou você diz por bem, ou não dirá mais nada!


E aqui está mais uma parte do sonho. Queria primeiramente me desculpa, pois a minha intenção ao compartilhar esse sonho não incluía intervalos de tempo tão grandes entre uma parte e outra. Mas está tudo saindo no previsto, espero terminá-lo antes do fim da quinzena. Aos que acompanharam até aqui, não esqueçam de dar um parecer clicando em uma das três reações abaixo (o qual se encontra apenas no blog, pra quem está acompanhado por RSS).

Atenciosamente,
Wodash.

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