Como tinha prometido, aqui vai a continuação do último post (clique aqui):
Não sei exatamente porquê, mas fomos direto à concessionária. Acredito que minha mãe imaginou que o dono do recinto iria querer revendê-lo. Está certo que o carro está inteiríssimo, não há qualquer problema na parte mecânica e muito menos na parte externa (esteticamente falando), mesmo assim, o cara não tinha nem as chaves do veículo, vai documentação. Mas tudo bem, segui minha mãe a passos firmes e decididos.
Ao chegar lá, encontramos com um carinha pançudo, moreno de sol (afinal ele trabalha próximo a uma praia e, além disso, estamos em Manaus), com uma careca de quarenta e muitos anos. Como qualquer vendedor que se preze, ele não aparentava ser nem um pouco simpático.
- Cadê meu carro? - indagou logo minha mãe, ranzinza.
- Não sei do que a senhora está falando - contrapôs maquinamente o vendedor, sem alteração de voz.
- E ainda por cima cínico - disse minha mãe, virando para mim em um ato de desgosto. - Quero meu carro agora!
- Senhora, você veio ao local errado. Não tenho idéia de onde está seu carro. Olhe, se a senhora olhar bem, temos todo tipo de carro aqui, desde automóveis econômicos a esportivos, de motos a caminhões. Se isso lhe agrada, pode procurar por seu carro.
É óbvio que minha mãe foi atrás.
"Dividir para conquistar", ela foi pela direita e eu pela esquerda. Havia realmente todo tipo de veículo ali, nem todos me agradaram aos olhos. Embora seja uma daquelas concessionárias que vende e aluga carros semi-novos, quanto mais luxuoso era o veículo, mas acabado aparentava. O melhorzinho era um Civic que estava encostado, mesmo assim não chegava aos pés do meu (leia: minha mãe) celtinha. Cheguei ao final e procurei em volta, minha mãe aparentava estar vasculhando pela segunda vez.
- Para quem você vendeu meu carro? - ouvi ela gritar de um lado.
Levei então minha mão ao rosto, já prevendo que aquilo não iria dar em nada.
- Como?
- Se não está aqui, é por que você já o vendeu! Eu quero um nome, e quero agora!
É claro que o vendedor não escutou calado. A briga continuou por mais um tempo, onde eu só olhava de um para o outro. Depois de um tempo, percebi que o melhor a fazer era apartar. Mas tirar a força a minha mãe de uma discussão não era, como posso dizer, saudável.
- Mãe, se acalma, a senhora está fazendo um barraco na concessionária - sussurrei ao pé do ouvido. - Olha, a senhora esqueceu que ainda não fomos olhar no ferro-velho?
Como se fosse um milagre, ela despertou do transe, dando um saltinho leve no lugar. Olhamos pela vidraça da concessionária e vimos um carro vermelho. Tudo bem, até aí tudo ok. O problema era onde exatamente o carro estava em cima. Não conheço muitos ferros-velhos, mas aquilo ali não era um daqueles compactadores de lixo-metálico?
Daí em diante, a briga ficou mais feia. Irei continuar assim que puder, ainda nessa semana. Espero que tenham gostado.
Atenciosamente,
Wodash.
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