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domingo, 17 de outubro de 2010

Extermínio futuro [parte 2]

Após ter feito uma postagem prometando regularidade, eu logo de cara a quebro. Dessa vez, por mais que minhas desculpas sejam fortes, não irei usá-las. Sendo assim, peço apenas que continuem acompanhando o blog todo dia 15 e último dia do mês. Essas serão as datas que irei fazer as postagens, e o menos tardar possível.

Agora quanto ao conto, aqui vai a segunda parte, tendo o prólogo aqui: Parte 1. Para minha felicidade, o mestre da mesa de RPG que deu luz ao conto mantinha um diário de campanha. Então tenho em posse um resumo muito bem detalhado dela. O desfecho em si, é tudo o que lembro, por isso a maior parte vai ser inventada. Espero conseguir narrar, de uma maneira nada parecida a que já vinha fazendo, de modo a continuar chamando a atenção daqueles que ainda acompanham o blog. Sem mais tardar:


O aeroporto de uma das colônias mais afastadas da Rússia estava nem vazio nem cheio hoje. Pela esquerda, podia-se ver uma extensão ferroviária ainda em construção. A frente, a entrada era por um deserto até onde se podia ver. Atrás ficava a interminável pista de vôo. Os vários andares estavam ocupados por lojas, a maioria com no máximo um cliente. Pois todos os que estavam esperando pelo seus respectivos embarques estavam no salão principal, no térreo. Alguns liam as interessantes matérias de primeira página no jornal. Nos americanos, diziam "Rússia cria um aparelho capaz de alterar o clima". Nos russos, se defendiam "Aparelho recentemente criado capaz de controle mental". A Nokia, grande líder tecnológica, negou "Aparelho russo é capaz de controlar equipamentos eletrônicos". Outras teorias, uma mais contraditória do que a outra, estampavam vários jornais em línguas diferentes.


Entre as pessoas que andavam sem rumo pelo saguão, ganharam foco um grupo de doze indivíduos, todos armados e encapuzados. Eles faziam um círculo entre si e abriam caminho entre a multidão, que lentamente estava ficando alarmada. Quando todos perceberam o que estava acontecendo no aeroporto, momentos antes de começar a correria, as vinte e quatro metralhadoras começaram a disparar a esmo. Os que estavam mais afastados conseguiram atravessar a porta de vidro, enquanto sangue e cadáver preenchiam o salão.

Dos que ainda corriam tentando salvar suas vidas, algumas pessoas se destacaram. Um deles, um chinês,  estava apenas excitado com a situação, tirando fotos de tudo - um turista que percebia o potencial da confusão e o quanto lucraria se vendesse seu material a uma emissora. Os outros foram indivíduos que os terroristas pegaram como refém ao notarem a polícia se formando do lado de fora.

A polícia, já acostumada a grandes atentados dos separatistas, não fizeram sua outrora costumeira ação de alerta, como certo dia já pertenceu a constituição. Pelo contrário, adentrou por vários locais e já ataram fogo. Os doze, agora vinte, imediatamente recuaram pelo mesmo local que entraram. O turista com a câmera sedenta de atenção os seguia desesperado, tentando capturar a cena cômica onde um dos reféns com uma mala enorme tentava não se separar dela. Porém, em um momento imprudente, o chinês fora visto por um dos terroristas, que o capturaram para subtrair sua câmera. Já quase do lado de fora, todos os reféns são postos para dormir.

Ao acordar, Senhor K, o chinês, percebeu que estava dentro de um caminhão, junto também a outros que ainda estavam dormindo. Fitando pela janela da caçamba de carga para o painel dianteiro, onde havia apenas dois guardas, sendo que um conduzia o caminhão, conseguiu distinguir mais outro caminhão à frente. Neste instante, um segundo refém acorda, aparentemente americano, fazendo quase nenhum barulho. Ele, ainda sonolento, observa a situação e imediatamente percebe o que acontecera. Então, embora Senhor K não conseguindo descobrir inicialmente como, o americano se soltou da algema que o prendia. Em um momento astuto, este caminha vagarosamente para os lados, tomando o cuidado para não produzir som, e atira a algema contra um dos guardas, que cai desacordado bem quando o caminhão estaciona. Ao notar o que o americano ia fazer, Senhor K se dirigiu logo às portas traseiras, sua experiência lhe aflorando a pele, e a abriu. Ao praticamente se jogarem para o lado de fora, apenas mais um refém acordou, saltando desnorteadamente para fora.


O cativeiro, ao ponto de vista do chinês, era uma espécie de caverna nada escondida. Havia um refúgio logo na entrada. Senhor K instintivamente olhou para o percurso tomado, procurando uma fuga, e não avistou qualquer forma de perseguição.


"Por quanto tempo estávamos desacordados?", pensou ele, aflito.


Ao olhar para trás, Senhor K viu o americano adentrando o segundo caminhão junto ao outro refém, um finlandês, e três separatistas saltando para o lado de dentro também. No instante seguinte, dois sequestradores foram atirados contra a frente do caminhão que estavam anteriormente, e uma rajada de alguma coisa preencheu o local, jogando o ultimo para fora.


Neste ínterim, Yuri escura um barulho alto, como se alguma coisa colidisse contra metal e em seguida um som estranho cortando o ar. Estava em um dos laboratórios, manuseando equipamentos delicados que exigiam o máximo de atenção. Tirou então os óculos e se encaminhou à porta, tirando as luvas de borracha, já ensaiando a bronca para que aquela algazarra, que estava ficando pior, parasse. Ao chegar à porta, percebeu que o megafone não estava funcionando e que a mesma estava trancada. Mordeu os lábios, irado. Estar ali, contra a sua vontade, lhe irritava a cada novo dia. Hoje particularmente seu humor estava em Marte. Tocou então no painel que liberava a porta, fitando com atenção os números. Imediatamente uma sequência numérica lhe veio à mente, digitou-a e a porta escorregou para o lado. 


O baque lhe atingiu antes que o fragmento de metal que voou em sua direção, raspando-lhe a orelha. Por um instante, não soube o que fazer, ficando paralisado. Viu um dos guardas renderem um dos civis que tentava fugir e um outro, um chinês, tentando atingi-lo com um pedaço de tora. Havia um outro civil, aparentemente finlandês, com uma arma enorme - uma bazooka de tecnologia que nunca tinha visto. E um terceiro, americano, com um braço estranhamente desproporcional ao outro, que se defendia inutilmente de outros dois guardas, com cacetes de aço.


Por um instante, não soube o que fazer. Ainda parado à porta, percebeu que os civis estavam em desvantagem. Se em algum momento tivesse uma oportunidade de fugir, esse momento seria agora, e nunca mais teria outra chance. Puxando seu PDA, acessou rapidamente o sistema de segurança do cativeiro - uma ação que não soube como não tinha tentando antes - e percebeu que o caminhão não possuía um controle à distância. Irado, percebeu que só podia fazer mais uma ação. Usando o máximo de empenho que pôde, desenhou uma imagem em sua mente, uma onde o caminhão atrás do americano estava dois metros à frente. No instante seguinte, o caminhão começou a se mover, atingindo ferozmente os três à frente, infelizmente o americano era um deles.


Com todos os guardas agora inconscientes, Yuri escutou o finlandês, enquanto puxava o amigo para o outro, chamar todos os civis para um dos caminhões, conduzido pelo chinês, prometendo levá-los para um local. Era a sua oportunidade. Olhou para trás e viu o aparelho no qual estava trabalhando. O som de pneu lhe preocupou. Desenhou outra imagem em sua mente, uma onde o aparelho que desenvolvia estava em sua mão estendida. No instante seguinte, o objeto voou da plataforma, e com proeza a pegou no ar.


- Hey, deixem eu ir com vocês? - exclamou alto, correndo em direção ao caminhão.


Por um instante, percebeu que o caminhão não parou. Sentiu o desespero, pois o sol escaldante apenas enfatizava o imenso deserto a sua volta. Parou, o cansaço sobre suas pernas já lhe realçava a idade. Felizmente, o caminhão também.


- Obrigado - lembrou-se logo de dizer, subindo abordo. 


Por mais que tentasse não reparar, o caminho parecia muito mais longo. Tinha certeza que deviam ser quase meio dia quando saíram do cativeiro, mas já era quase noite quando conseguiram chegar em uma pequena estrada entre a floresta. Pelo radio, os tripulantes do outro caminhão à frente também estavam apreensivos. O caminho lhe dava um arrepio tenso. Acertaram-se em revezar a direção. Yuri ofereceu-se a dirigir durante à noite, já que seu parceiro tinha dirigido durante a tarde inteira.


- Bom, eu não sou muito de conversar, então por isso minhas desculpas - disse ele, olhando para o lado de fora da janela. - Não gosto de anunciar meu nome, mas pode me chamar de Senhor K.


Lançou-lhe um olhar desconfiado, mas cada um tem seus motivos.


- Meu nome é Yuri - disse por fim, sem se preocupar com precauções.


- Por que você estava preso lá naquele lugar? - indagou ele, pelo canto do olho, ainda interessado pela vegetação.


- Bom, basicamente fui sequestrado para recriar isso aqui - respondeu-lhe, sem muito interesse, mostrando o pedaço do mecanismo que estava desenvolvendo no cativeiro.


- O que é isso? - questionou-o Senhor K, fitando com desprezo. - Parece um visor de relógio.


- Bom, pelo formato até que parece mesmo. Mas não é um relógio. Isso aí é um chip. Sua funcionalidade é diversa. Basicamente ele é um sistema de unificação tecnológica. É difícil de explicar sem usar termos além da sua compreensão.


O chinês fitou-lhe fundo, aparentemente ofendido com suas palavras. Sinceramente, não ligava. Já que estava no volante, tinha em suas próprias mãos seu bilhete de saída. 


Mas não era isso o que Senhor K pensava. Na verdade, não chegava perto. O que segurava era algo intrigante, mas a coincidência era absurda. Fitou novamente o russo ao seu lado, tentando descobrir por conta própria se aquilo tudo era verdade. Mas não conseguiu, sua agencia não tinha lhe dado informações precisas. Mas havia uma em particular que poderia sim confirmar tudo aquilo.


- Qual é mesmo o teu sobrenome?


- Gagarin - respondeu ele, cordialmente.


- Yuri Gagarin? - questionou, porém era para si mesmo. Sim, era o mesmo sobrenome. O nome do cientista que tinha criado para a Rússia um chip capaz de desencadear uma infinidade de impossibilidades. "Basicamente ele é um sistema de unificação tecnológica", repetiu a voz de Yuri em sua mente. Não podia ser coincidência. - Então... - começou, elevando o chip mais para cima, de modo a refletir melhor a iluminação penca do caminhão. - Pois é, você não achou estranho o que aconteceu há pouco? Tipo, esse sequestro estranho.


Yuri escutou o comentário de uma forma diferente, na realidade, não o tinha prestado atenção. Havia um quesito de confidencialidade em seus contratos que acabara de quebrar. Como se sentia idiota, na tentativa de manter a social, acabara revelando justamente o que não devia. Como estava se odiando por isso. Com proeza, levou sua mão ao chip e o pegou de volta, tentando não demonstrar qualquer forma de agressão em suas ações, de modo a conseguir recuperá-lo sem irritar o chinês, e então o pôs de volta no bolso - lugar onde não deveria ter saído, afinal. Sem interesse, continuou a conversar com Senhor K.


Entrementes, no caminhão à frente, reinava um silêncio mórbido. Uma luz no painel sinalizava que o radio de baixa frequência, o qual usaram para se comunicar no percurso, estava ligado. Os dois ocupantes, o americano e o finlandês, olhavam concentrados para o lado de fora. Ambos perdidos em seus pensamentos.




Finalmente, aqui foi a segunda parte desse conto. Demorou um pouco, mas como disse no início, eu só lembrava do enredo. Felizmente, consegui replicar todo o encontro, o conflito e finalmente o mistério. Entretanto, essa não é a primeira sessão completa, preferi dividi-la em duas partes, mas acredito fortemente que vou conseguir narrar a continuação muito em breve, já que ela é relativamente curta e empolgante. Não esqueçam de comentar e dar sua opinião no blog.


Atenciosamente
Wodash.

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