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domingo, 16 de janeiro de 2011

O grandalhão, a garota e o acidente

Depois de tanto tempo sem postar alguma coisa, és que me surge alguma inspiração, embora ainda seja apenas uma espécie de review para mim, pois essa continuação já estava em meus devaneios logo quando postei o original (que você pode encontrar pelo índice, ou clicando aqui).

Estou na calçada, sentado. Embora minha mão à cabeça estivesse quente por causa do líquido que ainda escorria para meu rosto, não havia uma única ponta de energia em mim. Sentia-me imensamente estagnado, sem vida. Olhava apenas para aquela poça vermelha no chão, e os olhos da garota ainda não saíram de minha visão. O SAMU já tinha a levado há tempos, mas minha imaginação se encarregara de imortalizá-la ali, no chão.

- Ei - chamou alguém, provavelmente o motorista do táxi. Mas não podia ser ele, pois tinha ido junto à ambulância. A pessoa entrou em meu foco de visão e, para meu espanto, aqueles olhos castanhos eram iguais a da garota. - Mário, você está bem?

- Sim, sim - respondi, quando vi que era apenas Simone, minha vizinha.

- Então vamos, vou te fazer um chá - prometeu-me ela, ajudando-me a me levantar.

Estávamos indo para a casa dela, conseguia identificar isso conscientemente, mas meu inconsciente continuava naquela calçada. Não havia qualquer explicação para o que eu estava sentindo, a não ser o choque. Já havia testemunhado muitos acidentes antes, alguns poucos piores, mas nenhum tão próximo e tão há tempo como esse. 

Sim, provavelmente fora o choque.

Simone abriu o portão de sua residência, e a segui sem pestanejar, sem reparar no gramado recém-capinado ou nas flores que haviam florido da noite anterior. Também nem notei que ela havia mudado o local do sofá na sala, ou que a cozinha estava mais mobiliada do que a última vez em que estive ali, ou que o cheiro floral era novidade.

Balancei a cabeça, tentando me recuperar, e sorri para Simone quando ela me fitou do outro lado da mesa em que sentávamos agora.

- Então, pode ser chá preto? - indagou ela, se levando de um modo que me fez perceber que ela não estava mais tão preocupada comigo.

- Não, não, esquece isso. Tem água geladinha, geladinha?

- Acho que geladinha, geladinha tem não - retrucou ela, me imitando. - Mas acho que deve ter gelo aqui no congelador, vou por uns pra você - comentou enquanto separava a água no copo.

- Pode ser, obrigado.

- Então, você viu tudo? - objetivou ela, interessada. Por um momento, fiquei lhe fitando tirar o gelo da forma, sem prática. Depois percebi que ela realmente não estava na hora do acidente.

- Não sei exatamente, só vi o corpo-

- Mas a Fernanda disse que você testemunhou tudo! - exclamou ela, fazendo bico.

- Sim, quer dizer, não exatamente - disse, pegando o copo. - Tipo, eu estava virado para o outro lado na hora. Só escutei um baque alto e, quando me virei, vi que tinha sido do meu lado. Tudo o que testemunhei foi ela já atirada no chão e o motorista correndo pra socorrer. Depois impedi ele de tocar nela e liguei pro 192. Só isso!

- Entendo - disse-me ela, olhando pra o vazio. - Eu, por outro lado, tava lavando roupa lá atrás, quando ouvi os comentários da Fernanda. Eu tentei largar tudo, mas ainda estava pondo o amaciante na máquina, e ainda tive que fechar a casa, então acabei perdendo tudo.

- Sei. Mas não era uma vista agradável de se presenciar. Então não se preocupe com isso.

- Ok. Você a conhecia? - questionou ela, me fitando fundo.

- Nem! - neguei, balançando a cabeça. - Nunca a vi por aqui.

- A Fernanda me falou que ela mora lá na parte de cima, não muito longe.

- Hum - exclamei, ouvindo. Não sei por que, mas estava sentindo um certo incômodo em falar a respeito do acidente. Não conhecia a garota, não havia motivo para estar incomodado. - Mudando de assunto, como foi a entrevista?

- Ah, péssima. A pretensão salarial era muito baixa. Não dava!

- Nossa, pensei que fosse quase o dobro de quanto você recebia antes!

- Nem! Mesmo sendo maior, a função iria exigir muito... não valia a pena. Afinal, não tou necessitada. Já recebi a primeira parcela do seguro, vou consegui sobreviver até achar um emprego melhor.

- Você quem sabe!

Houve um momento meio constrangedor, onde Simone ficou olhando para o lado de fora e eu fiquei tomando a água. Então, anunciei que ainda tinha que ir ao trabalho, pois no dia seguinte iria ter uma reunião importante com um representante comercial que viria de São Paulo.

Sem fome, deixei a padaria de lado e fui pra casa. Meu quarto estava mais gelado do que me lembrava, uma vez que não tinha ligado o ar-condicionado por ter sido uma noite fria. Fui ao guarda-roupas e escolhi as roupas do dia e, ao fechar, meu coração parou no susto.

Uma mancha vermelha em forma de mão estava gravada na porta.

Fitei os lados, em busca de alguém, mas o quarto estava vazio. Andei de costas, em direção ao banheiro, mas estava vazio também. Ao olhar pelo espelho do banheiro, a imagem da garota estava olhando para mim.

Não, era a minha imaginação. Aquele era o meu rosto, não o dela. E o sangue em meu rosto era minha imaginação. Não, era o sangue da garota. Sim, era isso.

- Caramba, que susto! - exclamei, me recompondo. Pelo visto, aquele seria um dia difícil.

Fui direto para o chuveiro, tomar uma ducha de água fria bem prolongada. Precisaria acalmar os nervos. O chá de Simone viria bem a calhar agora. Apalpei meu peito, tentando inutilmente forçar sua desaceleração. Não consegui logo de imediato, tive que pensar em inúmeras outras coisas, como o trabalho que teria para organizar toda a planilha de preços para amanhã. Ao terminar, puxei a toalha para me secar.

Havia uma fragrância diferente no ar. Um cheiro doce e suave, porém estava muito ralo. Por um instante o perdi, mas o encontrei novamente em minha toalha. Era fraco, muito fraco, mas estava ali. Que perfume seria aquele?

Voltei ao quarto tentando imaginar de onde ele teria vindo. Nada. Desisti e me troquei.

Escolhi por ir na Pajero, pois um medo se instaurou por mim e um senso de proteção se alastrou pelos meus músculos. Enquanto dirigia, tive a impressão que o tempo não estava passando. Não havia muito trânsito a essa hora, por isso o caminho tava correndo livre. Porém, toda vez que via um gol vermelho passando do meu lado, as imagens vinham por si só. Por um instante, enquanto o semáforo mandava parar, fechei os olhos e tentei me concentrar. Aquele seria um dia estressante, mas não precisava começar na ida ao trabalho. Liguei o toca-cd e a começou a sinfonia. Não sabia por que, mas isso sempre me relaxava muito.


O expediente começou normal, era correria para todo lado. O officeboy tinha entregue os papeis errado, o orçamento do mês tinha se esgotado e a audiência seria hoje. Fiquei estupefato, não saberia como proceder. As pessoas diziam que não sabiam como eu tinha esquecido. Foi direto para a sala de reuniões, e improvisei como pude. Felizmente, o produto era algo do meu dia-a-dia, então sabia muito bem como vendê-lo. Ao terminar, dei várias instruções ao estagiário e voltei pra casa.


Estava estranho, muito estranho. Mas tudo bem.


Tranquei-me no quarto, ligando o ar e depois a TV, pondo o primeiro filme que estava na pilha de pendentes. O sono chegou rápido, graças ao conforto de minha cama. Haviam várias preocupações na minha mente, mas a mais insistente era a garota. Ela me visitou várias vezes, sempre com um sorriso de orelha a orelha. Porém, em um sonho interminável, ela estava bem jovem. Eu também.


Tínhamos 10 anos. Estávamos na quarta série. Era hora do recreio. Comentávamos sobre a vida, de como seríamos quando crescêssemos e nos comprometemos um ao outro. Porém, no sonho, o tempo passou e nos vimos cada vez mais distantes, até que na sétima série não estávamos mais na mesma sala e deixamos de nos falar. No ensino médio, fomos para escolas diferentes. Uma vez, recebi um e-mail dela, quando estávamos concluindo terceiro ano. Era para que a turma se reunisse, mas não fui, estava ocupado fazendo uma entrevista para intercâmbio. Os dias foram passando, vi várias oportunidades de emprego, regressei ao Brasil para a casa de meus pais. Com o tempo, eles faleceram e eu reformei tudo. Fui perdendo as afinidades, as amizades, a vida. Até que em um belo dia, um baque surdo me chamou de volta. E o rosto era...


- Roberta? - exclamei, me levantando da cama em um susto.




Acho que ficou bom para um retorno. Essa é a primeira parte, espero estar a terminando ao longo da semana. Infelizmente, acabei me apegando ao blog novamente perto do início do ano letivo. Mas vou sempre dedicar um tempinho pra ele agora. Espero que tenham gostado.


Atenciosamente,
Wodash.

domingo, 28 de novembro de 2010

Parada por tempo indeterminado.

Vim por meio dessa postagem informar que o blog vai dar uma parada por tempo indeterminado. Tempo indeterminado no sentido de não ter uma data específica pra voltar. Acredito que já esteja tudo em ordem logo depois do natal, ou apenas no ano que vem mesmo. Então até lá eu volte a escrever alguma coisa.

O motivo é simples (embora não seja único): faculdade. Como poucos não sabem, eu faço faculdade pública, Engenharia, então já se nota uma certa quantidade de tempo que tenho que me dedicar a ela. Outro motivo é a ausência de vida social que estou tendo recentemente. Acredito que faltei a aproximadamente cinco sessões de RPG, mas isso não vem ao caso.

Sendo assim, desculpem-me qualquer eventualidade. 
E espero que estejam comigo na volta.

Atenciosamente,
Wodash.

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Jack, o Lanterna – A Verdadeira História


Aqui vai mais um conto para vocês. Dessa vez, tive o cuidado de trazer um com o tema do dia: Halloween. O conto de Jack, o Lanterna. Tive o cuidado de não alterar o idioma do conto, tendo assim ele contado em Português, Portugual. Fi-lo para que o toque de originalidade se mantivesse, e assim vocês pudessem apreciá-lo melhor. Sem mais delongas:




Era uma vez um homem que trocava uma imperial sacada pela Rita por uma caneca de Sagres. Esse homem chamava-se Jack e vivia num sítio bonito que há pouco tempo mudou de nome, mas que na altura se chamava Casal Ventoso. Umas lendas dizem que esse gajo viveu na Irlanda, mas não passam de histórias estúpidas e sem sentido, tal como o boato do Cavalo (ou Égua, whatever) de Tróia não ser português… Qualquer dia dizem que não somos o país menos desenvolvido da União Europeia. Era só o que faltava! Bem, como sabem eu não estou aqui para enganar ninguém e muito menos para contar histórias néscias, portanto cá vai a versão verídica do Jack-O-Lantern: 
Estava o Jack na tasca do Zé não tão Mau quanto isso tomando uma cerveja, quando entra o Diabo e senta-se mesmo ao seu lado. Nessa mesma tasca estava um padre de nome LaVey. Ele, ao ver Satã, aproximou-se com a Bíblia na mão e disse em voz alta: 
- Sai daqui, Demónio!! 
- E porque havia eu de sair daqui? - disse Satã, sem sequer olhar para ele. 
- Porque Deus assim o quer!! 
- Ah, sim? E como sabes isso? 
- Porque… Porque ele disse-me! 
- Cala-te, pá! Tu ‘tás bêbado, tal como todos os idiotas o estavam quando escreveram esse livro estúpido. - afirmou o Diabo apontando para a Bíblia, continuando a não olhar para o sacerdote. 
- Como ousas falar assim da palavra sagrada do Senhor?! Tomara tu teres uma Bíblia!!! 
Nesse momento, o chifrudo olha directamente para o padre. A escuridão que invadia os seus olhos fez LaVey tremer de medo. 
- Boa ideia, padre! Toma lá uns trocos e vai escrever uma Bíblia para mim. Inventa o que quiseres, desde que enalteças o meu nome… - ordenou, enquanto que atirava umas moedas de ouro para o chão. 
E este, tal como o Demónio previra, não se fez de rogado. Apanhou-as apressadamente, enquanto que afirmava: 
- Sim, mestre. A sua bondade é infinita! 
E lá sumiu, indo com certeza escrever a tal Bíblia que Satanás pedira. Jack, ao assistir àquilo, virou-se para o Diabo e disse-lhe: 
- Hei, chefe, reparei que tem dinheiro a dar com um pau. 
- Sim e depois? 
- Podia-me pagar uma bejeca. 
- É claro que não! 
- Oh, vá lá! 
- E o que me dás em troca? A alma? 
- Não, mas posso pedir à tarântula da minha filha para lhe fazer um broche. 
- Nah! A última vez que fiz sexo com um animal foi com a gorila da Missy Elliot e foi por estar podre de bêbado. Nunca mais faço uma coisa daquelas! Nem que seja pecado!! 
- A Missy Elliot tem uma gorila? 
- Eu não disse isso… Então, vendes me a alma, ou não? 
- Sim, claro. À falta de melhor… 
- Ah óptimo! Hmmm… Porra! Dei todo o meu dinheiro àquele idiota! - concluiu Satã, mexendo nos bolsos das suas calças. - E agora? Posso te pagar depois? 
- Não! Mas sempre te podias transformar em moeda para me pagares a cervejola. - opinou Jack, tendo uma ideia. 
Depois do chifrudo se ter convertido numa moeda, Jack agarra-a e mete-a no bolso, dizendo: 
- Ahah! Apanhei-te! Agora vais morrer de sofrimento ao pé de um crucifixo! 
- Que crucifixo? - pergunta o Diabo, dentro do bolso - Aqui só estão umas migalhas de pão. 
- Merda! Esqueci-me do crucifixo em casa! 
- Bahaha! Querias me enganar, hein? Vais pagar caro seu… Hmm? Que sombra é aquela?... Jasus! Uma aranha! 
- A tarântula da minha filha deve ter entrado no meu bolso. 
- Chiça! Como ela é grande! Tira-me daqui! Tira-me daqui! 
- Só se não apareceres para me pedir a alma durante dez anos. 
- Ok, ok! Pode ser, mas agora tira-me daqui! 
Jack tirou então o Demónio de dentro do seu bolso posando-o no chão. Ele rapidamente voltou à sua forma física normal. Virou costas e foi-se embora, dizendo: 
- Daqui a dez anos voltamos a falar... 


Uma década depois, Satanás regressou à terra para pagar o dinheiro que devia ao Piro vendedor da coca e encontrou Jack encostado a uma macieira falando com outro bêbado. 
- Pois é, Newton, a vida é assim, pá! 
- Mas, tu não entendes… A força que obrigou esta maçã a cair é a mesma que faz com que a Lua gire em volta da Terra. 
- Claro que entendo! Quando a Inácia me deixou eu também passei a não dizer coisa com coisa. Mas não te preocupes. ‘Tou aqui para te ajudar, amigão. 
- Oh, vai te coser! - disse o tal de Newton, abandonando aquele local. 
O Diabo foi então ter com Jack, que tinha ficado sozinho a beber Whisky de uma pequena garrafa. 
- Olha, olha. Como o Mundo é pequeno. - disse Satã, com ânsias de se vingar. 
- Arghh! Tu… Sai daqui, já! - exclamou Jack, levantando-se 
- Bah, não me metes medo, mortal! 
- Sai daqui… antes que eu… 
- Antes que tu o quê, hein?! 
- Bleeerghhh!! - foi o som emitido pelo nosso herói ao vomitar para cima do Demónio - … Antes que eu vomite para cima de ti… 
- Uh! Que nojo! Tu vais pagá-las caras! 
- Eh pá, desculpa, foi da bebida. Eu ainda te avisei para saíres daqui… 
- Vou te despedaçar! Ainda por cima estragaste-me o meu smoking novo! 
- Eh pá, agora, depois de vomitar, começo a sentir fome. Podias-me ir buscar ali uma maçã? 
- Tu vai sofr… Uma maçã? Ok, é para já. - disse o Demónio, trepando a árvore. 
Jack, inteligentemente, desenhou uma cruz no chão de modo a o Demónio não descer da árvore. 
- O que ‘tás a fazer, desgraçado? - perguntou Satã, apercebendo-se. 
- Acabei de desenhar uma cruz. Agora quero ver como vais sair daí. 
- Tss! És um idiota, pá! Isso do meu ângulo é uma cruz invertida. 
E o Diabo já teria descido para desancar no nosso herói, não fosse um braço castanho-escuro e peludo como o de um homem o ter puxado para trás. 
- Argh! O que é isto?... Não!!! Larga-me!!! Deixa-me em paz, Missy Elliot!!! 
Depois da famosa cantora o ter violado, este desceu da árvore. Cá em baixo olhou para a copa da macieira e ameaçou, agitando a mão cerrada: 
- Hás de mas pagar, sua regressão de australopiteco!! 
- Uh, uh-ah! - foi a resposta pronta da Missy Elliot. 
- Meu deus! Que horror! 
- Oh, não exageres, não há de ter sido assim tão mau… 
- Só dizes isso porque nunca a viste nua!… Enfim… Jack, bebes alguma coisa comigo? Pago eu. 
- Só se eu nunca chegar a ir para o Inferno. 
- Ok, como queiras. Não entrarás no Inferno depois de morreres. 
E lá foram os dois emborcar umas quantas para esquecer os problemas da vida. No caso de Satã, a violação; no caso de Jack, o facto de a sua garrafa de Whisky ter chegado ao fim. 


Depois de Jack ter morrido de cirrose foi para o Purgatório. Lá falou com São Pedro. 
- Deixe cá ver o que você andou a fazer enquanto vivo. – disse o Justiceiro, tirando um livro de uma estante gigante. - Hmm, problemas de alcoolismo, violência doméstica, roubo, agressão… Meu amigo, você jamais entrará no Paraíso. 
- Err… Não me diga uma coisa dessas. 
- Ah, pois! Não andasse… - disse São Pedro, sendo interrompido por umas senhoras em trajes menores que entraram subitamente no Purgatório. 
- Meninas, esperem aí pela vossa vez ou então entrem já para o Inferno e poupem me trabalho, pois aposto que sei para onde vão devido à forma como estão vestidas. 
- Ohhh… Não nos mande para o Inferno! Nós já cá viemos fazer uns serviços a Jeovah bastantes vezes. 
- Ah, sim? Nesse caso podem passar. - afirmou, abaixando-se ligeiramente para ver as nádegas das moças, assobiando em seguida. - Ah, o Senhor escolhe-as a dedo… 
- Hei! Ainda ‘tou aqui! – exclamou Jack. 
- Ah, sim desculpe. Bem, tal como ‘tava a dizer, não andasse a pecar a torto e a direito. Se tivesse juízo nada disto aconteceria! Agora só lhe resta uma solução: o Inferno. 
E lá foi o nosso herói caminhando para o elevador que conduzia ao Inferno. Lá encontrou o Diabo que estava jogando às damas online contra o Papa. Depois de uma jogada excelente de sua Santidade, o jogo acaba com a sua vitória, aparecendo a mensagem no ecrã do monitor de Satã: “Eheh! O bem vence sempre!” 
- Cabrão do velho! - suspirou Satanás. 
Depois de se virar, apercebeu-se que Jack estava à espera de ser atendido. Após uma longa conversa, o Diabo recordou ao nosso herói o que lhe tinha prometido naquela noite ao pé da macieira. Jack iria, portanto, ter de vaguear na Terra por toda a eternidade. 
- Pelo menos podias me arranjar um disfarce, para não ter de pagar aos gajos a quem devo, se me encontrar na rua com eles? - pediu ele ao Diabo. 
- Ah, com certeza. Deixa só procurar no meu sótão uma fantasia fixe para ti. 
Depois de um bocado, Satanás trouxe uma máscara em formato de abóbora que brilhava por dentro como se tivesse uma lanterna e uma capa preta. 
- Pronto aqui está. Fica bem e emborca umas por mim! 


E assim se formou a lenda do Halloween. É óbvio que o Jack, como não era aceite em nenhum emprego por estar morto, tinha de pedir comida de porta em porta, dando assim origem àquela treta do “dossura ou travessura”.



Esse conto foi retirado do blog Imperialium, logo deem os créditos ao autor por mim. Espero que tenham gostado tanto quanto eu. Aos usuários do RSS, favor visitarem o blog para opinarem.

Atenciosamente,
Wodash.

domingo, 17 de outubro de 2010

Extermínio futuro [parte 2]

Após ter feito uma postagem prometando regularidade, eu logo de cara a quebro. Dessa vez, por mais que minhas desculpas sejam fortes, não irei usá-las. Sendo assim, peço apenas que continuem acompanhando o blog todo dia 15 e último dia do mês. Essas serão as datas que irei fazer as postagens, e o menos tardar possível.

Agora quanto ao conto, aqui vai a segunda parte, tendo o prólogo aqui: Parte 1. Para minha felicidade, o mestre da mesa de RPG que deu luz ao conto mantinha um diário de campanha. Então tenho em posse um resumo muito bem detalhado dela. O desfecho em si, é tudo o que lembro, por isso a maior parte vai ser inventada. Espero conseguir narrar, de uma maneira nada parecida a que já vinha fazendo, de modo a continuar chamando a atenção daqueles que ainda acompanham o blog. Sem mais tardar:


O aeroporto de uma das colônias mais afastadas da Rússia estava nem vazio nem cheio hoje. Pela esquerda, podia-se ver uma extensão ferroviária ainda em construção. A frente, a entrada era por um deserto até onde se podia ver. Atrás ficava a interminável pista de vôo. Os vários andares estavam ocupados por lojas, a maioria com no máximo um cliente. Pois todos os que estavam esperando pelo seus respectivos embarques estavam no salão principal, no térreo. Alguns liam as interessantes matérias de primeira página no jornal. Nos americanos, diziam "Rússia cria um aparelho capaz de alterar o clima". Nos russos, se defendiam "Aparelho recentemente criado capaz de controle mental". A Nokia, grande líder tecnológica, negou "Aparelho russo é capaz de controlar equipamentos eletrônicos". Outras teorias, uma mais contraditória do que a outra, estampavam vários jornais em línguas diferentes.


Entre as pessoas que andavam sem rumo pelo saguão, ganharam foco um grupo de doze indivíduos, todos armados e encapuzados. Eles faziam um círculo entre si e abriam caminho entre a multidão, que lentamente estava ficando alarmada. Quando todos perceberam o que estava acontecendo no aeroporto, momentos antes de começar a correria, as vinte e quatro metralhadoras começaram a disparar a esmo. Os que estavam mais afastados conseguiram atravessar a porta de vidro, enquanto sangue e cadáver preenchiam o salão.

Dos que ainda corriam tentando salvar suas vidas, algumas pessoas se destacaram. Um deles, um chinês,  estava apenas excitado com a situação, tirando fotos de tudo - um turista que percebia o potencial da confusão e o quanto lucraria se vendesse seu material a uma emissora. Os outros foram indivíduos que os terroristas pegaram como refém ao notarem a polícia se formando do lado de fora.

A polícia, já acostumada a grandes atentados dos separatistas, não fizeram sua outrora costumeira ação de alerta, como certo dia já pertenceu a constituição. Pelo contrário, adentrou por vários locais e já ataram fogo. Os doze, agora vinte, imediatamente recuaram pelo mesmo local que entraram. O turista com a câmera sedenta de atenção os seguia desesperado, tentando capturar a cena cômica onde um dos reféns com uma mala enorme tentava não se separar dela. Porém, em um momento imprudente, o chinês fora visto por um dos terroristas, que o capturaram para subtrair sua câmera. Já quase do lado de fora, todos os reféns são postos para dormir.

Ao acordar, Senhor K, o chinês, percebeu que estava dentro de um caminhão, junto também a outros que ainda estavam dormindo. Fitando pela janela da caçamba de carga para o painel dianteiro, onde havia apenas dois guardas, sendo que um conduzia o caminhão, conseguiu distinguir mais outro caminhão à frente. Neste instante, um segundo refém acorda, aparentemente americano, fazendo quase nenhum barulho. Ele, ainda sonolento, observa a situação e imediatamente percebe o que acontecera. Então, embora Senhor K não conseguindo descobrir inicialmente como, o americano se soltou da algema que o prendia. Em um momento astuto, este caminha vagarosamente para os lados, tomando o cuidado para não produzir som, e atira a algema contra um dos guardas, que cai desacordado bem quando o caminhão estaciona. Ao notar o que o americano ia fazer, Senhor K se dirigiu logo às portas traseiras, sua experiência lhe aflorando a pele, e a abriu. Ao praticamente se jogarem para o lado de fora, apenas mais um refém acordou, saltando desnorteadamente para fora.


O cativeiro, ao ponto de vista do chinês, era uma espécie de caverna nada escondida. Havia um refúgio logo na entrada. Senhor K instintivamente olhou para o percurso tomado, procurando uma fuga, e não avistou qualquer forma de perseguição.


"Por quanto tempo estávamos desacordados?", pensou ele, aflito.


Ao olhar para trás, Senhor K viu o americano adentrando o segundo caminhão junto ao outro refém, um finlandês, e três separatistas saltando para o lado de dentro também. No instante seguinte, dois sequestradores foram atirados contra a frente do caminhão que estavam anteriormente, e uma rajada de alguma coisa preencheu o local, jogando o ultimo para fora.


Neste ínterim, Yuri escura um barulho alto, como se alguma coisa colidisse contra metal e em seguida um som estranho cortando o ar. Estava em um dos laboratórios, manuseando equipamentos delicados que exigiam o máximo de atenção. Tirou então os óculos e se encaminhou à porta, tirando as luvas de borracha, já ensaiando a bronca para que aquela algazarra, que estava ficando pior, parasse. Ao chegar à porta, percebeu que o megafone não estava funcionando e que a mesma estava trancada. Mordeu os lábios, irado. Estar ali, contra a sua vontade, lhe irritava a cada novo dia. Hoje particularmente seu humor estava em Marte. Tocou então no painel que liberava a porta, fitando com atenção os números. Imediatamente uma sequência numérica lhe veio à mente, digitou-a e a porta escorregou para o lado. 


O baque lhe atingiu antes que o fragmento de metal que voou em sua direção, raspando-lhe a orelha. Por um instante, não soube o que fazer, ficando paralisado. Viu um dos guardas renderem um dos civis que tentava fugir e um outro, um chinês, tentando atingi-lo com um pedaço de tora. Havia um outro civil, aparentemente finlandês, com uma arma enorme - uma bazooka de tecnologia que nunca tinha visto. E um terceiro, americano, com um braço estranhamente desproporcional ao outro, que se defendia inutilmente de outros dois guardas, com cacetes de aço.


Por um instante, não soube o que fazer. Ainda parado à porta, percebeu que os civis estavam em desvantagem. Se em algum momento tivesse uma oportunidade de fugir, esse momento seria agora, e nunca mais teria outra chance. Puxando seu PDA, acessou rapidamente o sistema de segurança do cativeiro - uma ação que não soube como não tinha tentando antes - e percebeu que o caminhão não possuía um controle à distância. Irado, percebeu que só podia fazer mais uma ação. Usando o máximo de empenho que pôde, desenhou uma imagem em sua mente, uma onde o caminhão atrás do americano estava dois metros à frente. No instante seguinte, o caminhão começou a se mover, atingindo ferozmente os três à frente, infelizmente o americano era um deles.


Com todos os guardas agora inconscientes, Yuri escutou o finlandês, enquanto puxava o amigo para o outro, chamar todos os civis para um dos caminhões, conduzido pelo chinês, prometendo levá-los para um local. Era a sua oportunidade. Olhou para trás e viu o aparelho no qual estava trabalhando. O som de pneu lhe preocupou. Desenhou outra imagem em sua mente, uma onde o aparelho que desenvolvia estava em sua mão estendida. No instante seguinte, o objeto voou da plataforma, e com proeza a pegou no ar.


- Hey, deixem eu ir com vocês? - exclamou alto, correndo em direção ao caminhão.


Por um instante, percebeu que o caminhão não parou. Sentiu o desespero, pois o sol escaldante apenas enfatizava o imenso deserto a sua volta. Parou, o cansaço sobre suas pernas já lhe realçava a idade. Felizmente, o caminhão também.


- Obrigado - lembrou-se logo de dizer, subindo abordo. 


Por mais que tentasse não reparar, o caminho parecia muito mais longo. Tinha certeza que deviam ser quase meio dia quando saíram do cativeiro, mas já era quase noite quando conseguiram chegar em uma pequena estrada entre a floresta. Pelo radio, os tripulantes do outro caminhão à frente também estavam apreensivos. O caminho lhe dava um arrepio tenso. Acertaram-se em revezar a direção. Yuri ofereceu-se a dirigir durante à noite, já que seu parceiro tinha dirigido durante a tarde inteira.


- Bom, eu não sou muito de conversar, então por isso minhas desculpas - disse ele, olhando para o lado de fora da janela. - Não gosto de anunciar meu nome, mas pode me chamar de Senhor K.


Lançou-lhe um olhar desconfiado, mas cada um tem seus motivos.


- Meu nome é Yuri - disse por fim, sem se preocupar com precauções.


- Por que você estava preso lá naquele lugar? - indagou ele, pelo canto do olho, ainda interessado pela vegetação.


- Bom, basicamente fui sequestrado para recriar isso aqui - respondeu-lhe, sem muito interesse, mostrando o pedaço do mecanismo que estava desenvolvendo no cativeiro.


- O que é isso? - questionou-o Senhor K, fitando com desprezo. - Parece um visor de relógio.


- Bom, pelo formato até que parece mesmo. Mas não é um relógio. Isso aí é um chip. Sua funcionalidade é diversa. Basicamente ele é um sistema de unificação tecnológica. É difícil de explicar sem usar termos além da sua compreensão.


O chinês fitou-lhe fundo, aparentemente ofendido com suas palavras. Sinceramente, não ligava. Já que estava no volante, tinha em suas próprias mãos seu bilhete de saída. 


Mas não era isso o que Senhor K pensava. Na verdade, não chegava perto. O que segurava era algo intrigante, mas a coincidência era absurda. Fitou novamente o russo ao seu lado, tentando descobrir por conta própria se aquilo tudo era verdade. Mas não conseguiu, sua agencia não tinha lhe dado informações precisas. Mas havia uma em particular que poderia sim confirmar tudo aquilo.


- Qual é mesmo o teu sobrenome?


- Gagarin - respondeu ele, cordialmente.


- Yuri Gagarin? - questionou, porém era para si mesmo. Sim, era o mesmo sobrenome. O nome do cientista que tinha criado para a Rússia um chip capaz de desencadear uma infinidade de impossibilidades. "Basicamente ele é um sistema de unificação tecnológica", repetiu a voz de Yuri em sua mente. Não podia ser coincidência. - Então... - começou, elevando o chip mais para cima, de modo a refletir melhor a iluminação penca do caminhão. - Pois é, você não achou estranho o que aconteceu há pouco? Tipo, esse sequestro estranho.


Yuri escutou o comentário de uma forma diferente, na realidade, não o tinha prestado atenção. Havia um quesito de confidencialidade em seus contratos que acabara de quebrar. Como se sentia idiota, na tentativa de manter a social, acabara revelando justamente o que não devia. Como estava se odiando por isso. Com proeza, levou sua mão ao chip e o pegou de volta, tentando não demonstrar qualquer forma de agressão em suas ações, de modo a conseguir recuperá-lo sem irritar o chinês, e então o pôs de volta no bolso - lugar onde não deveria ter saído, afinal. Sem interesse, continuou a conversar com Senhor K.


Entrementes, no caminhão à frente, reinava um silêncio mórbido. Uma luz no painel sinalizava que o radio de baixa frequência, o qual usaram para se comunicar no percurso, estava ligado. Os dois ocupantes, o americano e o finlandês, olhavam concentrados para o lado de fora. Ambos perdidos em seus pensamentos.




Finalmente, aqui foi a segunda parte desse conto. Demorou um pouco, mas como disse no início, eu só lembrava do enredo. Felizmente, consegui replicar todo o encontro, o conflito e finalmente o mistério. Entretanto, essa não é a primeira sessão completa, preferi dividi-la em duas partes, mas acredito fortemente que vou conseguir narrar a continuação muito em breve, já que ela é relativamente curta e empolgante. Não esqueçam de comentar e dar sua opinião no blog.


Atenciosamente
Wodash.

terça-feira, 21 de setembro de 2010

Extermínio futuro

Bom, essa postagem era para ter saído ontem, mas por problemas pessoas na faculdade, acabei não podendo. Felizmente, o atraso foi de apenas um dia. Então, sem mais delongas, aqui vai mais uma postagem.



Em 2080, Mateus era uma pessoa completamente egoísta e materialista. Queria também, acima de tudo, reconhecimento. Ele trabalhava para uma empresa free lancer como físico teórico, criando projetos para diminuição de custos e miniaturização de equipamentos. Com o tempo, ganhou a oportunidade de ser projetista para a Apple, que estava ressuscitando o projeto iPod. Com isso, Mateus percebeu que seus projetos não conseguiam sair do papel. Muitas equipes em nanotecnologia foram chamadas, mas a maioria delas dizia que certos conceitos de Mateus estavam errados e a outra parcela dizia que não havia uma maneira humana de desenvolvê-las.



Tendo sua carreira em jogo,  Mateus começou a participar diretamente de desenvolvimentos. Encontrou, assim, uma nova vocação. Junto a poucos que conseguiam acompanhar seu raciocínio, ele lançou várias royalties para Apple. No entanto, acabou percebendo que estava sendo explorado e abandonou-a.

Muitas empresas faziam sempre o mesmo e, após algum tempo, cansou-se delas e procurou outra forma de trabalho. Em 2084, a NASA convidou-o a desenvolver um projeto que teve dificuldade em terminá-lo, pois novamente a equipe não o entendia. Porém, desta vez, houve mais aceitação e oportunidades. Em pouco tempo já estava vendo o sucesso.

Isso, é claro, até a agência militar russa descobrir seus talentos com propulsores de foguete. A miniatura de um canhão de lazer que tinha criado poderia ser usada como arma. Obviamente,  Mateus não tratou isso como anti-ético, mas relevante.

No entanto, teve problemas para concretizar suas idéias. Isso por que as instalações do exército russo eram difíceis de se driblar e, com alguns meses, descobriram seus traços genéticos. Evidentemente, os russos exploraram suas habilidades cinéticas oferecendo total liberdade de criação em troca de algumas amostras de DNA.

Nesta época, Yuri percebeu que tinha em seu corpo a solução para crescimento próprio. Contudo, a agencia militar russa não era a melhor para este propósito. Assim, em 2087, aliou-se à Inglaterra secretamente, e em pouco tempo já estava dominando a tecnologia de clonagem. Isso por que seu intelecto conseguia facilmente desvendar os códigos genéticos variáveis que via.

Porém, a Inglaterra também não tinha suporte para seus experimentos. Aliou-se então ao Japão. Não queria isso, não gostava dos japoneses, mas a quantidade de mutantes no local era essencial para suas pesquisas. Houve completo progresso no que estudava e encontrou enfim um traço determinante das mutações. Porém, a tecnologia do Japão não era suficiente. Isso por que enquanto estava lá só conseguia dar aos clones um único traço genético. Ocorria total destruição de células quando tentava com mais de uma. Indignado, criou então um traje capaz de simular as mutações com base em células de pele marinha, uma dica dada por um observador de ornitorrincos. A roupa era capaz de adaptar-se conforme a vontade do usuário. Mas não era isso o que queria. Parecia mais um ponto de escape do que uma solução. Por isso, abandonou o projeto e se aliou ao Brasil.

Aqui ele encontrou nas plantas uma maneira de reproduzir em laboratórios seres clonados e modificados geneticamente com habilidades diversas (monstros, digamos assim). No entanto, apenas seres criados do zero conseguiam estas características. Não conseguiu criar uma bomba genética capaz de modificar em seres adultos, por exemplo. A radiação necessária para mudar o DNA de seres vivos era altamente perigosa e só dava certo em 0,5% do que testava. E tinha centenas de cobaias.

Novamente abandonou o projeto.

Mateus percebeu que estava explorando demais a liberdade que suas agências militares estavam dando e, por isso, parou por um tempo suas pesquisas. Os russos queriam uma arma capaz de manipular a mente: controlar, apagar lembranças, inserir lembranças, alterar caráter, o que fosse possível. Os ingleses queriam clonar um indivíduo adulto sem precisar passar pela juventude. E os japoneses insistiram em criar um robô completamente autônomo. Demorou mais que o triplo do tempo que precisava para dar o que eles queriam e, em 2090 voltou a suas pesquisas.

Porém, agora com a tecnologia japonesa e as pesquisas inglesas, conseguiu aprender mais sobre a psicanálise humana. O cérebro não era mais uma barreira para ele. Por isso, começou a criar andróides com inteligências próprias que tivessem as mutações. Mas seus projetos não estavam mais progredindo e, por isso, teve que voltar a planejar por conta própria, e só. As máquinas pareciam ser sua única opção no momento. Não entendeu muito bem, mas parecia que elas lhe ajudavam por prazer.

Quando conseguiu finalmente dominar a tecnologia de inteligência virtual,  Mateus aventurou-se em pesquisa de implementação autônoma com mutações. Criou artificialmente um núcleo psicônico capaz de tomar decisões, apesar de restritas, por conta própria e tivesse do que era capaz. Colocou-o em uma máquina e tentou descobrir no que iria dar.

Porém, 2092, a agência militar russa percebeu que  Mateus estava isolando-se mais uma vez e não terminava mais seus projetos. Após algumas investigações, descobriram que ele estava agindo como agente múltiplo. Após capturá-lo, usaram sua máquina de controle mental para dominar sua mente. No entanto, o feito acabou não dando certo. 

Óbvio,  Mateus não iria criar algo que pudesse ser usado contra ele. Houve então uma guerra. Mateus chamou seus amigos (contatos que conseguiu com os anos) e usou seus mutantes. O mundo então foi alertado, as bombas preencheram as massas de terra.

O mundo fora devastado.

O que sobrou da humanidade fora isolada. O ar estava impuro. Não havia mais árvores, nem água potável. Havia perigo em todas as direções.

Então, Russia, Inglaterra e Japão uniram-se para deter  Mateus. As três agencias usaram seus conhecimentos e conseguiram eliminá-lo. Dividindo seus equipamentos conforme suas necessidades. 

Em 2097, o mundo parecia já estar se restaurando. As pessoas continuavam isoladas. Árvores artificiais tiravam as impurezas do ar. Uma máquina bombeava água, transformando água salgada em doce.

Aos poucos o mundo estava ressuscitando.

Em 2099, a Russia percebia que não tinha mais nome. Olhou para fora e via todas as marcas extrangeiras em seu país. Indignados, os militares ansiavam o poder. A solução veio com o setor de clonagem.

Em 2100, um CHIP veio a tona.



Este conto, para alguns, pode não ser novidade, pois ela foi a história que criei a algum tempo sobre um personagem de RPG (Role-playing game). Ela sofreu algumas alterações, como o nome do personagem, e excluí os comentários soltos que tinham pelo meio do conto. Pelo o que eu pude notar em avaliações posteriores, esta postagem está mais para um prólogo do que eu pretendo narrar na próxima postagem. Espero que ela não tenha sido muito vazia, pois a continuação promete. Aos que acompanham por RSS, espero que não esqueçam de dar sua opinião sobre a postagem no site.

Atenciosamente,
Wodash.